Onde mora o verdadeiro fim do sofrimento?

MUKTI: sinônimo de Moksa (Sânscrito) ou Mokha (Pali);

1. Fusão do Jivatman (a aparente identidade individual) no Absoluto (Brahman ou Consciência Universal).

2. Seu sentido está conectado com a ideia de liberação, liberdade ou emancipação.

Mas por que nos libertar?

E de que? Somos prisioneiros?

Bem... podemos dizer que sim.

Desde muito cedo, quando nos identificamos com um eu, uma identidade aparentemente separada do TODO e de todos, iniciamos uma busca.

Buscamos nos livrar dos sentimentos de inadequação e incompletude, que se pensarmos bem, nos acompanham tanto em nossos fracassos quanto em nossas conquistas, talvez com uma única diferença: o tempo em que esses sentimentos levam para se manifestar.

Se julgamos que fracassamos em algo, o sentido de inadequação é imediato. E se julgamos que tivemos sucesso em algo? Bem, daí ficamos felizes. A pergunta é: por quanto tempo?

Absorvemos o mundo através dos cinco sentidos e portanto acreditamos que somos o corpo, os pensamentos, os sentimentos que experimentamos. Numa identificação compulsiva com o corpo sutil (ego/mente/intelecto) e com objetos de experiência, perdemos a percepção da única "coisa" que vai dar conta de nos satisfazer permanentemente: o reconhecimento do Ser completo e perfeito que já somos, neste exato instante.

Por mais que eu tenha sucesso em conseguir o que quero e evitar o que não quero, o desconforto retorna, mais cedo ou mais tarde.

E essa sim é a causa primordial disso que parece ser um ruído de fundo: por mais que eu tenha sucesso em conseguir o que quero e evitar o que não quero, o desconforto retorna, mais cedo ou mais tarde.

Podemos dizer então que a vida dos indivíduos se resume a, inconscientes, brincar na eterna gangorra do desejo X aversão, do prazer X dor e assim, esse buscar incessante e automático, polvilhado por momentos de contentamento - tão fugazes quanto ineficazes - segue em vigor. Esse estado dualista gera agitação mental e sofrimento, dos quais o indivíduo busca se livrar, afinal, ninguém gosta de se sentir limitado.

Como? Através da obtenção de mais objetos de experiência. Objetos "diferentes"... "melhores"... "maiores"... "mais caros", mais "prazerosos".... “mais espirituais” ... e a lista segue.

Mas acontece que objetos de experiência jamais poderão preencher esse "buraco negro imaginário". E essa é a raiz da crise existencial da humanidade.

Perfeito.

Mas se é assim que a vida se apresenta, numa sucessão de resultados catalogados como bons ou ruins, de acordo com preferências pessoais e aleatórias, porque será que seguimos acreditando que algum objeto, algum dia talvez no futuro, vá dar conta de nos livrar desse sentimento de inadequação? De nos deixar permanentemente satisfeitos? De acabar com o nosso sofrimento?

Porque será que não percebemos que qualquer que seja o objeto conquistado ou evitado - seja concreto como um carro, abstrato como uma sensação ou sutil como uma experiência mística - jamais tranquilizará essa inquietude de modo permanente?

Basicamente por que o “véu de Maya” encobre nossa percepção e distraídos por nossos sentidos, seguimos inconscientes e ignorantes, sem nunca parar para analisar a natureza lógica de nossa experiência.

E esse é o programa do qual fazemos parte.

O que fazer então?

Será que existe saída para esse sofrimento?

Sim, felizmente existe.

O Vedanta (literalmente, fim dos Vedas), que é o corpo de conhecimento que revela a natureza do Ser, apresenta a porta de saída direta, ou Jnana Yoga, no estudo e aplicação das escrituras sagradas através dos Upanishads, Bhagavad Gita, Puranas, etc.). Mas se sua mente ainda não está pronta para apreender essa Verdade através do conhecimento direto, ou caminho da auto-investigação e nesse reconhecimento instantâneo da Suprema Realidade te livrar do sofrimento, algum preparo é necessário.

E esse costuma ser o caso da maioria de nós, cujas mentes predominantemente rajásicas (rajo-guna = paixão, agitação, projeção...) ou tamásicas (tamo-guna = ignorância, resistência, preguiça...) ainda não estão qualificadas, a reconhecer sua verdadeira natureza.

Apesar da auto-investigação ou 1. Jnana Yoga (discriminação ou contemplação de nossa experiência cotidiana à luz das escrituras sagradas), ser considerado o único meio direto para a realização do Ser, outros meios também são oferecidos no Vedanta, como preparatórios ou purificadores:

2. Karma Yoga, um grande purificador do sentido de autoria, ou de “fazedor”, onde entregamos todas as ações a Deus com atitude altruísta e nos desapegamos de qualquer resultado;

3. Bhakti Yoga, que nutre a relação entre o indivíduo e Isvara (o criador) através da devoção, por meio de preces, pujas (rituais), canções, etc.;

4. Raja Yoga ou o Yoga Real, onde através do caminho da meditação em Deus, o indivíduo alcança estados cada vez mais purificados de percepção.

Mas e o Hatha Yoga (e seus inúmeros estilos), onde fica nessa estória?

Bem, as práticas físicas e sutis propostas no Hatha (considerado como caminho indireto para a realização do Ser) podem gradativamente purificar corpo, tranquilizar o coração e acalmar a mente, que passa a estar cada vez mais apta - ou Sattvica (sattvo-guna = sabedoria, firmeza, retidão, harmonia) - a discriminar entre Sujeito e objetos e absorver os ensinamentos relacionados ao conhecimento do Ser, até finalmente se reconhecer como tal, ou “o Único, sem um segundo”.

É dito no Hatha Yoga Pradipika*: “Asanas, vários Kumbakas e outros meios divinos, devem ser executados na prática de Hatha Yoga, até que o fruto – Raja Yoga – seja obtido.”

Mas ainda resta um último aviso, que talvez seja a mais importante dádiva que o Vedanta pode nos oferecer: para que o reconhecimento do Ser não se resuma a apenas mais uma experiência – que por definição terá começo, meio e fim - e torne-se mais um objeto de desejo que não vai acabar permanentemente com o sofrimento -, a aplicação diária do conhecimento, da auto-investigação ou da discriminação (Jnana Yoga) são absolutamente necessários. Do contrário, corremos o risco de passarmos a vida em busca de “baratos espirituais”, na dependência de gurus, satsangs, iniciações ou práticas, pensando que o reconhecimento do Ser completo e perfeito que já somos nesse exato instante, é mais um objeto, ou algo que possa ser produzido através de uma experiência mística emprestada.

Ao se reconhecer como a Consciência, como o Sujeito ou o Ser - livre, completo, neutro, infinito, sempre existente, no qual tudo se manifesta e é testemunhado - a ideia de dependência de qualquer objeto passa a ser absurda e revela claramente ao indivíduo toda a sua ineficiência.

Essa mudança de perspectiva, ou desidentificação com o que ele pensava que era, provoca um sentido permanente de completude e segurança que não pode ser roubado, e o indivíduo encontra enfim a paz que buscava.

Mukti (ou Moksa) nada mais é do que essa liberdade

da dependência de qualquer objeto.

E se acha que esse caminho não é para você, saiba que liberar-se do ciclo de nascimentos e mortes (Sansara) na inconsciência de Maya, através do reconhecimento de sua verdadeira natureza (Sat-Chit-Ananda), é o objetivo final de todos os indivíduos (Jivas).

Esse é o fim da busca e por consequência, do sofrimento, sendo que aquele que alcança essa realização em vida é chamado de Jivan Mukta.

Cada um de nós tem o equipamento perfeito para realizar a plenitude do Ser, contanto que estejamos dispostos a colocar um esforço sincero e intenso em ação para desenvolver as qualificações necessárias.

E ai? Me acompanha?

* Hatha Yoga Pradipika não é considerado material de origem no Vedanta, mas é um dos tratados mais respeitados e antigos para o Hatha Yoga, onde são descritos detalhadamente Asanas, Pranayamas, Kryias e Mudras, com o único e primordial foco de realizar o Ser. São nele ainda descritas a reabsorção final do Jiva na realidade suprema e as etapas do samādhi, a iluminação.

Para saber mais sobre Vedanta, visite a página shiningworldbrasil no facebook, ou inscreva-se na lista de nosso grupo de estudos baseada no livro "A essência da Iluminação", de James Swartz.

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