Você sabe o que é Karma Yoga?


Começando por seu significado literal, KarmaYoga é uma palavra composta de dois termos:

Karma, aqui significando "ação apropriada" ou "estado mental apropriado" - ou, como diz Krishna a Arjuna no clássico Bhagavad Gita, “perfeição na ação” - e Yoga, que nesse contexto significa "atitude apropriada.

Mas o que é perfeição na ação?

Há muita confusão em torno desse tema. Karma Yoga é visto como "serviço altruísta" e é muito popular em Ashrams, onde os devotos são ativamente encorajados a oferecer algumas (ou muitas!) horas de serviço ao Guru, na promessa de que vá dessa forma atenuar seus papa Karmas (colheita obrigatória de ações Adharmicas - ou negativas - do passado).

Essa ação é chamada de Devayajna (ou adoração ao Senhor, nesse caso na forma de serviço ao templo) e parte de PANCAMAHAYAJNA ou as 5 grandes contribuições (ou sacrifícios) que um Karma Yogi deve realizar todos os dias. Pode-se dizer que, para realmente funcionar, Karma Yoga precisa tornar-se uma atitude de observância e desapego constantes e aí sim o seu maior propósito - o de purificar nossa mente e eventualmente nossos karmas - pode ser alcançado.

E por que queremos purificar a mente?

A psicologia universal dos seres humanos, muito bem retratada no Vedanta, nos diz que nosso sofrimento primordial é psicológico e deve-se a um sentimento inato de inadequação, incompletude e limitação. Isso acontece devido à nossa ignorância a respeito de nossa verdadeira natureza - pura consciência - o que nos compele a uma identificação com o que podemos ver - o corpo e o mundo de objetos físicos - e sentir - através dos 5 sentidos e da mente.

Ninguém gosta de se sentir assim limitado e esse sentimento em si já nos traz uma grande agitação mental - representada por Rajas, um dos três gunas ou energias primordiais presentes em todo o universo que conhecemos. Portanto a partir desse erro fundamental, dessa ignorância a respeito de nossa verdadeira natureza completa e perfeita, somos compelidos a buscar nos livrar dessa sensação incômoda e a procurar por completude em objetos de desejo (ou a tentar evitar objetos indesejados).

Isso nos faz agir de maneira inconsciente e compulsiva e passado o primeiro momento de contentamento por conseguirmos ou evitarmos algo, voltamos a nos sentir da mesma forma - inadequados, incompletos, limitados.

Vedanta nos oferece a solução a esse problema: investigue a natureza da sua experiência e prove a si mesmo que nenhum objeto - e aqui entende-se por objeto tudo o que não seja o sujeito, Eu, a Consciência, seja um objeto físico, um relacionamento, uma condição, uma situação, um estado mental, etc.. - jamais te fez (e jamais te fará) sentir completo de maneira definitiva. Simplesmente porque a segurança, a alegria, o êxtase que você está buscando não se encontram nos objetos, mas são a mais pura expressão da sua verdadeira natureza.

Ótima notícia, né?

Mas porque o conhecimento dessa declaração não é suficiente para me fazer instantaneamente livre do sofrimento que experimento?

Porque para que isso ocorra, o "conhecimento dessa verdadeira natureza, do Ser", - que consiste em ver a si mesmo como a consciência eterna e não como o corpo/mente, precisa ser reconhecido, experienciado e todas as suas interações com o mundo que experimenta precisam passar a acontecer a partir dessa nova perspectiva - e isso não é possível para uma mente agitada e predominantemente dominada por Rajas e Tamas.

Ainda que possamos ter a sorte de receber um ensinamento claro como cristal, teremos a tendência de interpretá-lo através de nossos desejos e aversões, que funcionarão como uma lente suja através da qual percebemos o que chamamos de "realidade".

É aí que entra Karma Yoga. A prática sistemática e constante irá preparar nossa mente ao diminuir Rajas e Tamas e aumentar Sattva3 e esse processo irá gradativamente torná-la mais pacífica para que possamos discriminar e agir adequadamente em nossas situações diárias, reconhecendo nossa verdadeira natureza ilimitada e deixando de buscar eternamente por completude onde jamais iremos encontrar.

Ao abrir mão dos resultados de nossas ações e entregá-las a Isvara (o criador) - um dos pilares do Karma Yoga - nos livramos da compulsão por ações em busca de objetos/resultados específicos que (aparente e momentaneamente) nos façam sentir inteiros, adequados e completos, diminuindo consideravelmente a agitação mental e o interesse pessoal em controlar os resultados.

Como iniciar essa prática?

Existe um caminho que inclui 12 contribuições. Para quem deseja seguir seriamente com essa prática, sugiro a procura por um professor de Vedanta qualificado. O que você vai encontrar na sugestão abaixo são os primeiros passos em relação à atitude correta para que você compreenda a ideia como um todo.

Porém, esse conhecimento, se aplicado diariamente com dedicação e constância, já vai transformar a sua experiência.

Treine seguir esses passos:

1. Aceite seu papel no jogo e dedique todas as suas ações ao Criador.

Pense em Maya (nossa aparente realidade) como um grande jogo (Maha Lila) e saiba que como em qualquer outro jogo, aqui é importante conhecer as regras e jogar de acordo com elas, sabendo que aparentes ganhos e perdas irão depender de inúmeros fatores alheios à sua vontade, não importando seu nível de habilidade. Basta um minuto de investigação para que você comprove que os resultados da grande maioria de suas ações não está em suas mãos. Isso acontece porque uma vez que colocamos uma ação no campo Dharmico ela não mais nos pertence e irá frutificar de acordo com uma intrincada rede de fatores, que incluirão todos os envolvidos na questão. A melhor solução/resultado privilegia o todo em detrimento do indivíduo e ainda leva em consideração Karma e Dharma. Ou seja, não somos capazes de fazer essa conta, portanto podemos relaxar no papel coadjuvante que nos cabe, já que existe um sistema inteligente e perfeitamente orquestrado, funcionando 24 horas por dia, 7 dias por semana.

2. Abra mão do apego ao resultado de suas ações

Após a explicação do ítem 1, este é quase redundante, mas vale o reforço, dada a sua importância.

Karma Yoga só vai funcionar como purificador se você tiver confiança total no processo e soltar o seu investimento no controle que pensava ter sobre o resultado de suas ações. Como efeito colateral você pode se perceber menos interessado em muitas das ações que executava de maneira compulsiva e inconsciente, o que é um ótimo sinal.

3. Ação correta + atitude correta

Observe a sua intenção e busque a perfeição na ação.

Karma inicia na intenção que precede a ação. Portanto esteja claro quanto às suas motivações. É necessário disciplinar a mente observando constantemente o seu pensamento, recusando-se a cooperar com padrões de pensamentos negativos e as ações que possam surgir a partir deles. Para isso é recomendado agir com cautela, no momento certo e com a intenção correta, porque uma vez que você tenha oferecido sua ação ao campo Dharmico, ela já estará sendo contabilizada em sua conta Karmica.

4. Receba tudo como um presente do Criador

Lembre-se de que todas as situações são oportunidades de cura e purificação e nada chega até você por coincidência, azar, sorte ou acaso. Estamos sempre recebendo de volta os resultados de ações passadas (Punya Karmas - ações positivas do passado ou Papa Karmas - ações negativas), quer tenhamos consciência disso ou não. Portanto, a atitude de objeção à qualquer situação que se apresente é apenas perda de tempo e energia, na medida que gera agitação mental e nos impede de perceber nosso papel de maneira clara e portanto, de escolher a resposta mais adequada que devemos oferecer ao campo.

E se quiser se aprofundar, você pode também:

5. Auxiliar alguém, seja pessoa, animal ou o mundo;

6. Honrar seus ancestrais - através de preces ou rituais;

7. Honrar seu mestre ou Guru, aquele que te auxilia no caminho do auto-conhecimento - através de preces ou rituais.

1,2,3

De acordo com as escrituras Vedicas, o mundo todo é constituído de 3 qualidades, naturezas, ou estados sutis da matéria: Sattva, Rajas e Tamas. São chamados de Gunas e estão presentes nos 5 elementos da matéria.

Neste artigo não vamos nos aprofundar nessa explicação, porém te oferecemos abaixo uma observação de como essas forças agem em relação aos nossos humores, comportamentos e desejos:

SATTVA

Características:

Harmonia, equilíbrio, unidade, felicidade, leveza, espiritualidade, presença, clareza.

Uma pessoa com tendências sáttvicas tem um estado mental positivo e coerente. Psicologicamente é afetuosa, calma, desperta, altruísta e lúcida. Tem grande amor pela meditação, filosofia e atividades espirituais.

Desejos Sattvicos são desejos por crescimento espiritual e devem ser nutridos.

RAJAS

Características:

Agressividade, atividade, As pessoas com tendências rajásicas são muito dinâmicas, egocêntricas, consumistas, ambiciosas, vaidosas, sempre preocupadas e inquietas, com fome de poder, riqueza e prestígio.

Desejos Rajasicos são responsáveis pelo Karma mundano e pela estagnação espiritual e mantém o Jiva no ciclo de ganhar e gastar

É a força que cria desejos para adquirir coisas novas e os consequentes temores de perder aquilo que já se tem.

TAMAS

Características: Preguiça, impureza, escuridão, sonolência.

Desejos Tamasicos requerem meios imorais e fins imorais. Devem ser abandonados imediatamente. Uma pessoa dominada por Tamas dedica-se constantemente a atividades destrutivas, criminosas ou imorais, ou então é muito preguiçosa, pouco ambiciosa, passiva, ignorante e inconsciente, vivendo o dia-a-dia de modo banal, embrutecido e conformista. Tendência de se envolver em atividades que não apoiam a vida.

Posts em Destaque
Posts Recentes
Siga-nos!
  • Facebook Basic Square
  • Instagram Social Icon
  • YouTube Social  Icon
  • Pinterest Social Icon
Busque pelas Tags
Arquivo

Quer receber inspirações pra te ajudar no seu Sadhana? Faça parte da nossa comunidade!

Aulas de Vinyasa Flow e Hatha Yoga, Crurso de Autoconhecimento,

Yoga online

​© 2015 Mukti Yoga Shala  •  Totos os direitos reservados • Yoga online, Curso de autoconhecimento, Vinyasa Flow e Hatha Yoga